Eu queria perceber a vida mágica como quando eu pensava sem palavras, e sentia sem conceitos, ou preconceitos...
Eu quero pensar que posso segurar a luz nas mãos, e que ela se escapa refletindo nas folhas das árvores, que dá pra alcançar as estrelas se você pular bem alto, e que a morte não existe...
Me acostumar a ser chamada de "Priscilla", sabendo quem eu sou além disso. Quero sentir aquela certeza de antes, tão pura e básica que transcendia qualquer explicação.
Eu me perdi de mim. Eu me limitei a conceitos. A chamadas, a números.
Eu me limitei a definições.
E agora falta alguma coisa em mim, alguma coisa dentro de mim que eu não sei explicar, e que de tão seca se torna vazia, e aos poucos me sufoca, como um vácuo.
Até onde é possível correr a procura de si mesmo?
E do que foge alguém que se procura? Por que é tão difícil se perceber, se tocar?
Eu olhei as minhas mãos e percebi o quanto estão frias... Olhei meu braço e vi cicatrizes. olhei meus olhos e vi pulsão de morte.
Quis ouvir minhas palavras, e sentir minhas lágrimas, mas elas não caem, e as palavras se engasgam num novelho de pensamentos.
Há noite atrás eu sonhei que vomitava linhas, um monte de linhas, e cabelo... Acho que agora entendo... Eu vomitava em sonho aquilo que não consigo expressar. O sonho é a realização de um desejo.
Talvez eu quisesse vomitar a mim mesma. Talvez eu ache que vazia eu posso me achar... e me sentir melhor... sentindo do mundo um pouco distante...
Só me questiono sobre quem eu sou porque não sinto mais quem sou.
Só me atormenta saber por que vivo porque o ato de viver não me satisfaz mais.
Só quero mudar a realidade porque o que eu percebo me incomoda.
Só quero me definir, só quero definir ao mundo, categorizar, rotular, porque eu sinto perder alguma coisa, alguma coisa, além, além de mim... eu não posso tocar, mas posso sentir, e sinto longe, longe, distante, e quanto mais eu procuro, mais distante fica.
Do que estou fugindo?
Era mais fácil no lugar das certezas simplesmente não ter dúvidas. isso não significa ignorância...
Eu era mais viva quando não entendia o tempo.
um dia se seguindo ao outro... Como me assustei...
Eu lembro de quase todos os momentos chave do meu desenvolvimento, e mesmo assim não consigo me definir quanto a uma forma de perceber o mundo, algo individual, personificado, inominável.
Assustada quando percebi o tempo.
Divertida quando arrisquei correr e me apoiar ao invés de simplesmente andar, porque assim chegava mais longe, mesmo que caísse às vezes...
Encantada com tudo o que brilha.
Mas qual som mais me emociona? Qual som que me atingiu? o que me marcou tanto assim pra música? qual som? eu não recordo... Deve ser só do dia amanhecendo, os passarinhos comemorando e alguns carros passando na avenida, e até a música, pour elise, do carrinho do gás rs
eu saia cantando e dançando pela casa toda vez que o carro do gás passava rs.
mas daí a música perdeu a graça... e agora eu toco sonota ao luar... sentindo as ondas quebradas, o quanto me contenho e não deixo fluir, não adianta, não vai, só estaca... não flui. daí eu acho que o piano está desafinado quando eu é que estou desarmônica e enferrujada...
e aí eu percebo no mundo... mais um reflexo de mim. sempre, sempre assim.
afogo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário